E AGORA MANOLO???

Faça um conto infantil | 11/08/2011

Era uma vez um gatinho… Ele vivia na cidade mais movimentada do mundo, todas as pessoas tinham pressa, e todas as noites tinham música. Durante o dia, ele caminhava até o cais da cidade, e passava todo o dia olhando um mar que não se decidia se ia, ou se vinha. Todo pôr-do-sol, ele entristecia, não era mais dia, tampouco já era noite, e o mar não havia se resolvido. Quando finalmente anoitecia, ele reparava uma bolinha no céu, que uma hora ou outra, chegava pertinho do horizonte e se encontrava com o mar.

“É por isso que ele não se decide! O que esse “novelinho de lã esburacado” tem que eu não tenho?” O gato, desiludido, mergulhava na cidade, curtia os tambores e saxofones a noite toda para apartar o frio. Quando amanhecia, ele tirava uma soneca no solzinho quente, acordava alegre como nunca, e partia para o cais.

Durante muito tempo essa foi sua rotina. Até que uma noite, o ar estava quente, um calor incomum. O mar avançou sobre o cais, e deu um uma bela lambida no bichano.

“O que você quer com esse chamego todo?” Perguntava o gatinho para o mar.

“Divertir a nosso gostoso pôr-do-sol.” Respondia o mar cheio de manha, ainda indo e voltando.

“Então agora eu sou mais importante que… aquilo ali em cima?”

O mar tranquilo lhe respondia em deboche: “Aquela? aquela é a lua. Não posso me desfazer dela. O que eu te provo me desfazendo dela? Não lhe basta todos os dias que passamos juntos aqui no cais?”

O gato teimava: “Não, você precisa provar que eu sou importante. Poderia ao menos me dizer o motivo de vir me fazer companhia todos os dias.”

“Ora! Mas eu já não lhe faço companhia? Por que haveria de ter motivos?”

“Você deveria ficar parado perto de mim, assim eu saberei que somos um, que sentimos da mesma forma. Do contrário, eu preciso de outro motivo pra entender sua companhia.”

“Mas somos dois!” O mar retrucou.

O mar, cansado da insatisfação do gato, se retirou, pra tão longe, que mal o gato podia ver do cais. O mar estava ali, mas havia acabado toda a presença sublime que ele dava aos dias do gatinho. A cidade ficou sem-graça sem o encanto do mar, e as noites de música se tornaram um lamento, um pedido cada vez mais alto do gato, para que o mar voltasse.

O gato pensou, meio chorão, como era bom passar a tarde com o mar indo e vindo só pra ele. E como seria sem-graça se o mar ficasse parado, só pra ele ter motivos pra crer que o mar gostava de sua companhia. Ele tinha sido tonto.

Agora, o gatinho continua curtindo as músicas noturnas da cidade, mas pela manhã, ele vai para o cais, esperar pelo mar voltar.


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