E AGORA MANOLO???

Faça a Sua Parte | 10/08/2011

A ÁRVORE INCONVENIENTE

– Dois amigos se encontram num bar de uma avenida movimentada. –

Clotário: Você demorou, infelizmente só sobrou essa mesa da ponta, ficaremos quase engolindo essa árvore da calçada.

Lúcia: Eu não me incomodo, de qualquer forma, a árvore chegou antes de nós.

Clotário: Claro, já devem fazer algumas centenas de anos que ela está aí, burro foi o dono do bar que não a tirou daí ainda. Essa moda de proteger “o que a natureza fez”.

Lúcia: O próprio dono do bar deve tê-la colocado aí, se não foi ele, foi algum outro proprietário anterior. Te garanto que a natureza não foi. E se ela não estivesse aqui, não haveria um lugar tão ruim, e as pessoas não se importaria em chegar mais tarde e ter que sentar perto da “árvore inconveniente”.

Clotário: Você defende demais que as coisas são como deveriam ser. Eu como ser humano me incomodo e não acho que deveria aceitar o mundo como está. Além do mais, ninguém pediu minha opinião na hora de colocar a árvore aí, porque eu deveria concordar?

Lúcia: Até agora, tinha sido a natureza a autora dessa árvore na calçada, e com ela você não reclamaria de não ter opinado sobre a localização da árvore. Já o dono do bar, está no balcão, você tem toda a liberdade de expor sua “indignação de ser humano.”

Clotário: Não… não farei… A árvore é velha, parece bem mais velha que ele, duvido muito que ele seja responsável por essa árvore na calçada.

Lúcia: Então podemos matar o assunto e pedir um drink?

Clotário: … E se… a própria natureza tem motivos para querê-la ali?

Lúcia: Ai senhor… Me diz, porquê um homem escala uma montanha?

Clotário: Embora seja uma pergunta estranha, talvez porque ele admire o seu tamanho, tem paixão por ela, e estar no topo lhe proporcionaria toda a beleza da natureza.

Lúcia: Pra chegar lá, o homem investiu no seu sonho e criou artefatos que o ajudariam a alcançá-lo. Como um helicóptero por exemplo. De repente, o homem estava satisfeito com a sua criação, e não precisou mais sonhar com a montanha, ele sequer reparou que ela não estava mais lá. Porque já sabe que a alcançou.

Clotário: Tá… E porquê a montanha não estaria mais lá? E o que isso tem a ver com os planos da natureza para essa árvore invadindo a nossa mesa?

Lúcia: Pra construir o helicóptero, ele precisou de ferro, pra extrair o ferro, ele precisava dos minérios, para extrair os minérios, ele derrubou a montanha. Isso prova que o homem coloca as suas construções acima das suas paixões. A cidade toda é uma construção para satisfazer o homem da sua própria evolução, para ele poder ver uma grande paisagem do que ele é na natureza. Depois de sentir que já alcançou tudo, ele “planta uma árvore” em memória da própria natureza, e não é capaz de matá-la de novo, pra não se sentir insignificante na sua busca, pra não ver que o seu lugar na natureza é EMBAIXO dessa árvore.

Clotário: Vamos pedir um drink? Acho que a árvore vai nos fazer companhia hoje, estando onde deveria estar.


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